O que Calígula obrigou as virgens a fazer foi tão brutal que a morte terá sido uma misericórdia.

Você está observando uma menina de 14 anos sendo arrastada para fora do quarto do imperador. Ela não está andando; dois servos a puxam pelos braços. Seus pés se arrastam pelo chão de mármore. Seus olhos estão abertos, mas não há mais ninguém lá dentro. Três dias atrás, aquela menina estava rindo no quarto ao lado do seu. Esta manhã, eles a chamaram. Agora ela é outra coisa, como se alguém tivesse arrancado sua alma. Uma serva vê você observando, agarra seu armo e o puxa de volta para o seu quarto. Não olhe, nunca olhe. E quando vierem por você, não lute.
Roma, ano 39 d.C. Você tem 14 anos. Você está trancada em um lugar chamado Jardim de Vênus há seis dias e acabou de aprender o que acontece com as meninas quando são convocadas. Seu pai disse que isso era um privilégio. Sua mãe chorou quando você subiu na carruagem. Os vizinhos observaram com inveja enquanto você subia a colina em direção ao palácio. Ninguém lhe contou a verdade. Ninguém lhe disse que o homem mais poderoso do mundo tem um sistema, como uma fábrica, que anota os nomes das meninas em tabletes, suas idades, como elas se parecem, e as chama uma a uma para o seu quarto. E quando elas saem, não são mais as mesmas. Esta é a história do que Calígula fez com as meninas em seu palácio, e a parte mais assustadora não é o que ele fez, é que ninguém o impediu. Nem os senadores, nem os guardas, nem mesmo os pais que entregaram suas filhas na porta. Todos sabiam e todos ficaram quietos.
Antes de entender o que aconteceu naqueles quartos, você precisa entender como um ser humano se torna capaz disso, porque Calígula não nasceu um monstro; ele foi fabricado. O ano é 19 d.C. Um menino de sete anos corre por um acampamento militar romano vestindo um uniforme de soldado em miniatura, completo com uma pequena armadura e bôtas vermelhas. Os soldados o adoram. Eles o chamam de Calígula, “botinhas”. Ele é filho de Germânico, o maior general de Roma desde Júlio César. Os homens acreditam que esta criança lhes traz a vitória. Ele não tem ideia do que está por vir. Um ano depois, seu pai morre. A história oficial fala em doença súbita; a história sussurrada diz veneno, ordenado pelo próprio imperador Tibério.
Calígula tem oito anos quando a máquina começa a destruir sua família. Sua mãe é arrastada de casa, acusada de traição e morre de fome no exílio. Seu irmão mais velho é preso e fica com tanta fome que tenta comer o enchimento de seu colchão. Seu segundo irmão é exilado para uma ilha onde os guardas o torturam até que ele esmaga a própria cabeça contra as paredes para acabar com isso. Um por um, apagados. E o jovem Calígula assiste a tudo acontecer. Em 31 d.C., ele é o último que resta. Aos 19 anos, o único sobrevivente. Então vem a convocação: o imperador Tibério quer vê-lo em Capri.
Historiadores antigos como Suetônio e Tácito descrevem Capri como uma
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