Eu ainda era virgem aos 32 anos… até que a viúva passou 3 noites na minha cama

Eu ainda era virgem aos 32 anos… até que a viúva passou 3 noites na minha cama

Já parou para pensar como seria viver 32 anos nesta Terra sem nunca ter encostado um dedo em uma mulher? Inadequado. Enfim, parece que você passou a vida inteira mastigando poeira enquanto todo mundo estava bebendo água daquele rio maravilhoso. Naquele inverno de 86, eu era aquele homem sedento. E Clara Morgan era a água que ia me afogar ou me salvar. Ainda não consegui descobrir qual. Ela apareceu à minha porta em meio a uma nevasca, meio congelada, com o vestido completamente encharcado, de modo que eu pude ver cada curva que Deus lhe deu. E eu sabia, parada ali com aquela lanterna tremendo na mão, que a promessa que fiz à minha mãe falecida estava prestes a ser testada de maneiras para as quais eu não estava preparada. As pessoas me chamavam de Fazendeiro Virgem. Diziam isso como se fosse algo engraçado. Não era. Era uma corrente que eu carregava desde os 17 anos, ficando mais pesada a cada ano. Naquela noite, olhando para Clara tremendo na minha varanda, aqueles olhos castanhos implorando por misericórdia, aquela corrente começou a se romper.

E quando uma coisa dessas finalmente explode, nossa, não é nada silencioso. Zumbido nos ouvidos pior que um .44. Acho que já falei demais por hoje. Sirva-se de mais uma e, se ainda estiver ouvindo, sente-se um pouco. Minha mãe morreu quando eu tinha 17 anos. Ela teve uma febre que não cedia. E quando o Dr. Harrison chegou à nossa casa, não havia nada a fazer a não ser segurar a mão dela e ouvi-la. “Não seja como seu pai”, ela sussurrou. Seus dedos estavam frios como pedras de riacho. “Não desperdice seu tempo com mulheres que não importam. Espere por uma que te faça querer ser melhor.” Eu prometi. Que diabos mais eu ia fazer? Dizer não a uma mulher moribunda? Durante 15 anos, mantive essa promessa. 15 anos observando outros homens saírem cambaleando de bares com mulheres pintadas nos braços. Quinze anos deitado acordado naquela cabana, ouvindo apenas o vento nas batidas do meu próprio coração, me perguntando se eu era nobre ou apenas estava com medo. Aos 32 anos, eu tinha 320 acres de terra no Wyoming, 80 cabeças de gado que ainda não tinham morrido e uma reputação que me seguia como um cão vadio: o rancheiro virgem. Eles acharam engraçado. Achei que estava sufocando.

Então chegou aquele dezembro, o inverno mais frio de que alguém se lembrava. Mais tarde, chamaram isso de “a grande mortandade”, quando metade do gado em Wyoming congelou onde estava. Mas em 23 de dezembro de 1886, tudo o que eu sabia era que o vento uivava como um animal moribundo e alguém batia na minha porta. Entreabri a porta, imaginando que algum bêbado precisasse de abrigo ou de uma bala. Também não. Era Clara Morgan, quase morta na minha varanda. Ela desabou em meus braços antes que eu pudesse dizer uma palavra. Encharcada até os ossos, lábios azulados, tremendo tanto que pensei que ela fosse se despedaçar. Eu a conhecia. Todos em Laramie conheciam Clara. Ela administrava a pensão na Terceira Rua. Viúva há quatro anos, com 40 anos e ainda linda daquele jeito que deixava os homens bobos. “Por favor”, ela conseguiu dizer apesar de bater os dentes. Eu a carreguei para dentro, sem pensar, sem hesitar; apenas a levei até a lareira e comecei a tirar aquele casaco molhado, aquelas luvas congeladas. Seu vestido estava colado ao corpo, mostrando tudo o que Deus lhe dera e algumas coisas que me fizeram estremecer. “Vire-se”, disse ela quando conseguiu falar novamente. Eu fiquei ali parado, de frente para a parede áspera da minha cabana, enquanto ela trocava de roupa, vestindo minha camisa reserva e meias de lã. Minha imaginação, que estivera silenciosa por tanto tempo, de repente começou a gritar. Eu conseguia ouvir cada farfalhar do tecido, conseguia imaginar cada centímetro de pele que eu não deveria ver.

“Você pode conferir agora.” Me virei e quase me esqueci de como os pulmões funcionam. Ela estava perto da lareira, vestindo minhas roupas, com os cabelos escuros soltos sobre os ombros, e seus olhos tinham um olhar que eu nunca tinha visto antes, direcionado a mim. Não era suave, não era agradecido; era faminto. A mesma fome que me corroía as costelas há anos. “Obrigada”, disse ela. Assenti com a cabeça, sem conseguir confiar na minha voz. Comemos em silêncio. Feijão com bacon, café tão forte que poderia acordar os mortos. A tempestade continuava uivando lá fora, sacudindo as paredes da cabana, e eu não parava de pensar no que a cidade diria se soubesse que Clara Morgan estava aqui sozinha comigo. “Eu sei como te chamam”, disse ela finalmente, pousando a xícara. Meu rosto ficou quente. Isso é tão típico de um rancheiro virgem. Ela não estava sorrindo. “É verdade?” Eu poderia ter mentido. Deveria ter mentido. Mas algo na maneira como ela me olhou, sem julgamento, sem zombaria, me fez ser honesto. “Fiz uma promessa à minha mãe”, eu disse. Disse a ela que esperaria pela mulher certa. Clara ficou em silêncio por um longo momento. “32 anos de idade. E você cumpriu essa promessa.” “Todo santo dia.” Ela estendeu a mão por cima da mesa e colocou a mão sobre a minha. A sensação da mão dela na minha era como se eu tivesse agarrado um ferro de marcar, que atravessou meu braço e se alojou pesadamente em algum lugar onde não deveria estar. “Isso faz de você o homem mais honrado do Wyoming”, disse ela suavemente. “Ou o mais tolo de todos”, eu disse, olhando para ela. “Talvez ambos.” “Talvez”, concordou ela. “Então estou em apuros.” Foi então que ela me falou sobre Ned Carver. Sobre a dívida que seu falecido marido lhe deixou. Sobre como Ned era dono do Lucky Dollar Saloon e também queria ser dono dela. Queriam que ela trabalhasse lá como recepcionista, que era um termo elegante para o que realmente significava. “Ele me deu até o Natal para decidir”, disse ela. “Ou você trabalha para ele, ou ele fica com a pensão. É tudo o que eu tenho.” “Foi por isso que você estava lá fora durante a tempestade?” “Eu estava correndo. Sei que é uma bobagem, mas pensei nisso.” Ela desviou o olhar. “Pensei que talvez, se eu fosse longe o suficiente, ele se esqueceria de mim.” “Homens como Ned não esquecem.” “Eu sei.” Sua voz era quase um sussurro. “Eu só queria uma noite em que não tivesse medo, em que pudesse fingir que tinha uma escolha.” Eu deveria ter dito algo nobre, algo sobre como daríamos um jeito nisso. Em vez disso, eu disse: “Você está segura aqui.” Nossos olhares se encontraram. “Será que sou mesmo?” A questão pairava entre nós como fumaça, porque ambos sabíamos que ela não estava segura. Não do Ned. E talvez nem de mim.

Segundo dia da tempestade. A neve continua caindo como se Deus tivesse esquecido como pará-la. Passamos dois dias dançando naquele quartinho como dois cachorros estranhos. Dando passos para o lado, com os olhos desviando, fingindo que não notávamos a respiração um do outro. O problema era que o quarto não ficava maior. Mas quase lá, era tudo o que havia. Ela me pegou olhando para ela. Eu a peguei olhando para mim. Cada vez que nossos olhares se cruzavam, algo apertava meu peito, puxava meu estômago, me fazia desejar coisas que eu vinha negando há 15 anos. “Conte-me sobre ela”, disse Clara naquela tarde, sentada junto à lareira. “Sua mãe.” Então eu fiz. Contei a ela sobre minha mãe me criando sozinha depois que meu pai morreu. Sobre ela trabalhando até os dedos ficarem em carne viva como costureira, sem nunca reclamar, sem nunca pedir ajuda; sobre como ela queria algo melhor para mim do que meu pai tinha proporcionado. Meu pai, que morreu de infecção causada por um corte que sofreu numa briga de bar por causa de uma mulher cujo nome ele provavelmente nem se lembrava. “Ela queria que você fosse diferente.” Clara disse que queria que eu ficasse sozinho. Acontece que não. Clara balançou a cabeça negativamente. “Ela queria que você esperasse por alguém que valesse a pena esperar.” “E como é que eu vou saber quem é essa pessoa?” Ela me deu um sorrisinho cansado. “Você saberá que encontrou a mulher certa quando quebrar essa promessa começar a parecer menos um pecado e mais como respirar.”

Naquela noite, sentamo-nos perto da lareira, com os ombros encostados. Nenhum de nós se moveu. Eu conseguia sentir o cheiro dela de perto. Sabão de mentira, fumaça de madeira e mulher. O cheiro subiu direto à minha cabeça, como uísque puro. “Não me sinto desejada há quatro anos”, disse ela em voz baixa. “Às vezes me pergunto se ainda sou mulher, apenas viúva, apenas alguém administrando uma pensão e tentando não desaparecer.” Eu me virei para ela. “Clara, você é a coisa mais linda que eu já vi.” Ela riu, mas não era um som feliz. “Você não viu muita coisa.” “Já vi o suficiente, e estou lhe dizendo.” Estendi a mão e toquei sua bochecha com minha mão calejada. Ela se inclinou para frente, fechando os olhos. “Você me faz esquecer todas as promessas que já fiz.” Ela abriu os olhos. “Isso é perigoso.” “Eu sei.” Estávamos tão perto agora. Eu conseguia contar os cílios dela. Era possível ver a pulsação em sua garganta. Sua respiração acelerou. A minha também. “Diga-me para parar”, sussurrei. “Eu não quero.” Beijei-a devagar, desajeitadamente, como duas pessoas que quase tinham esquecido o truque. Então, sem mais lentidão, praticamente nos devoramos vivos. As mãos dela em meu cabelo, meus braços em volta de sua cintura, puxando-a para perto até que não houvesse mais espaço entre nós. Ela fez um barulhinho, meio surpresa, meio outra coisa, e qualquer nó que eu tivesse feito em mim mesmo 15 anos atrás se desfez de uma vez. Recuei, respirando com dificuldade. “Clara, não faça isso.” Ela disse: “Não pense. Não fale. Apenas…”

A porta se abriu com um estrondo. A neve invadiu o local. E Ned Carver ficou ali parado com uma arma na mão e assassinato nos olhos. “Ora, ora”, disse Ned, sacudindo a neve do casaco. Mais dois homens se aglomeraram atrás dele: Jake Morrison e Pete Hendrix, valentões locais que faziam o trabalho sujo por Ned. “O rancheiro virgem arranjou uma mulher. E eu que pensava que você estava se guardando para algo puro.” Levantei-me devagar, colocando-me entre Ned e Clara. Minha Winchester estava do outro lado da sala. Poderia muito bem estar na Califórnia. “A tempestade ainda não acabou, Ned. Você deveria voltar.” Ele riu, um som horrível como o pecado. “Não sem o que é meu.” “Eu não sou sua”, Clara disse atrás de mim, com a voz trêmula, mas firme. “Você tem uma dívida que diz o contrário, querida.” Os olhos de Ned percorreram-na, demorando-se em lugares que me davam vontade de quebrar a cara dele. “Mas eu sou um homem razoável. Trabalhe para mim, e a dívida está quitada. Ou deixe esse virgem se divertir com você; então, trabalhe para mim de qualquer maneira quando ele terminar. A escolha é sua.” Algo dentro de mim ficou realmente imóvel. Não quente como o inferno; frio, cortante. “Ela vai ficar aqui”, eu disse. O sorriso de Ned desapareceu. “É mesmo? Você está preparado para morrer por ela? Porque é isso que acontece se você não sair do caminho.” Olhei para Clara e para aqueles olhos castanhos que me mostraram o que era viver de verdade. Olhei para ela e finalmente entendi que mamãe não queria que eu fosse puro. Ela queria que eu esperasse por aquela que fizesse o pecado parecer como voltar para casa. “Sim”, eu disse para o Ned. “Eu estou.” Pete foi primeiro pegar sua arma. Atitude estúpida. Peguei a garrafa de uísque da mesa e a arremessei num só movimento. Acertou-o em cheio no rosto. Ele caiu com força. Jake começou a sacar, mas eu já estava me mexendo. Mergulhei em busca da minha Winchester, rolei e emergi com o cano apontado para o peito de Ned. “Fora!”, eu disse. Ned não se mexeu. “Isso ainda não acabou.” “Sim, acabou. Se você voltar, eu te mato. Diga ao xerife o que você quiser. Você veio à minha casa e me atacou com ferro em brasa. A lei está do meu lado.” “Em uma nevasca, a lei não importa, rapaz.” Eu engatilhei o rifle. O som era alto como um trovão. “Talvez não, mas isto sim.” Eles foram embora, arrastaram Pete para fora, sangrando e xingando. Ned parou na porta e olhou para trás, para Clara. “Você fez sua escolha, querida. Espero que isso te aqueça quando ele perceber que você não vale a pena morrer por você.” A porta bateu com força. O silêncio preencheu a cabana como água preenchendo uma sepultura. Clara estava tremendo. “Ele provavelmente voltará. Ele vai te matar.” “Talvez.” Coloquei o rifle no chão. “Mas há coisas pelas quais vale a pena morrer.” Ela olhou para mim, com lágrimas escorrendo pelo rosto. “Por quê? Você nem me conhece.” “Eu sei o suficiente. Eu sei que você é corajosa. Eu sei que você está com medo, mas você ainda está de pé. Eu sei que quando olho para você, não sinto mais que estou esperando. Sinto que estou vivendo.” Ela atravessou a sala em três passos e me beijou. Diferente de antes. Não com fome, mas com desespero. Como se eu fosse o ar e ela estivesse se afogando.

O que aconteceu em seguida? Bem, isso não vem ao caso. Algumas coisas devem ficar entre duas pessoas. Mas vou dizer o seguinte: quebrar aquela promessa à minha mãe me pareceu a primeira coisa honesta que fiz em 15 anos. E Clara me mostrando o que significava estar com uma mulher… ela não estava apenas me ensinando, ela estava me salvando. Adormecemos, entrelaçados, com o fogo a arder lentamente. E pela primeira vez desde os 17 anos, não sonhei em ficar sozinho. Na terceira manhã, a tempestade finalmente parou. O sol nasceu frio e brilhante, transformando o mundo em diamantes brancos. Clara acordou em meus braços. Por um segundo, ela olhou para mim como se não tivesse certeza de onde estava. Então ela se lembrou. Vi isso em seus olhos, a lembrança voltando à tona. O que tínhamos feito? O que isso significava? “Você já se arrependeu?”, perguntei, com a voz arranhando como lixa. Ela ficou em silêncio por tanto tempo que pensei que a tinha perdido de vista. “Só que eu tenho que voltar.” “Você tem?” “Tenho. Isso vai se espalhar se eu não fizer nada. Toda a cidade saberá que passei 3 dias aqui com você. Eu estarei arruinada.” “Então case comigo.” Escapou de mim antes que meu cérebro conseguisse processar. Mas assim que foi dito, eu soube que era verdade. Verdade absoluta. Clara sentou-se, puxando o cobertor para se cobrir. “Você não quis dizer isso. Claro que não. Você é simplesmente… É porque nós…” “É porque eu te quero”, eu disse. “Não apenas na noite passada, mas em todas as noites. Para quando o gado congelar, o dinheiro acabar e o mundo inteiro esfriar. Quero você lá.” Ela estava chorando agora. “Vão dizer que você teve que se casar comigo, que eu te arruinei e você fez a coisa certa. Eles nunca nos deixarão esquecer.” “Não me importo com o que eles dizem.” “Você vai se importar. Um dia você vai acordar e perceber que abdicou de tudo por uma mulher com mais dívidas do que dinheiro no bolso, e vai me odiar.” Eu segurei a mão dela. “Escute-me. Passei 15 anos com medo. Com medo de quebrar minha promessa. Com medo de ser como meu pai. Tenho medo de desejar algo tanto que isso possa me destruir. E sabe de uma coisa? Cansei de ter medo.” “Não é tão simples assim.” “É sim. Case comigo. O resto a gente resolve.” Ela me olhou por um longo tempo, depois ficou tão quieta que quase não ouvi: “Sim.”

Fomos à cidade 3 dias depois. A notícia já havia se espalhado. Tempestades dessa magnitude… as pessoas reparam em quem está em falta. Ned fez questão de que todos soubessem que Clara havia passado aqueles dias na minha casa. As pessoas olhavam fixamente como se estivéssemos carregando uma praga. As mulheres afastavam seus filhos como se Clara estivesse doente. Os homens sorriram de canto de boca e se cutucaram mutuamente. Ouvi os sussurros: “A meretriz levou o virgem para dar uma volta.” Clara apertou meu braço com tanta força que chegou a doer. “Talvez tenha sido um erro.” “Não”, eu disse, “esta é a primeira coisa que fiz direito em anos.” Fomos direto para o salão, o Lucky Dollar, a casa do Ned. Todos se viraram quando entramos. O pianista parou no meio da música. Ned estava atrás do balcão, polindo um copo. “Olha só quem voltou rastejando. Venha acertar as contas.” “Vim para deixar as coisas bem claras”, falei em voz alta o suficiente para que todos ouvissem. “A dívida de Clara. Quanto?” “$ 300.” Alguém assobiou. Para a maioria dos homens, isso representava 6 meses de trabalho. Um ano para alguns. “Eu pagarei.” O cômodo ficou em completo silêncio. “É mesmo?” Ned sorriu. “Você tem 300 dólares?” “Consegui 40 acres na encosta norte. Um riacho atravessa a região durante todo o ano. Vale mais de 300.” “Não quero terreno.” “Então receba o dinheiro em espécie.” Peguei a bolsa de couro que mantinha escondida na minha cabine. Despejei tudo no balcão. Moedas de ouro estavam espalhadas pela madeira. “$ 140. É tudo o que eu tenho.” Os olhos de Ned se estreitaram. “Isso é menos da metade.” “Eu sei. Vou pagar o resto. Precisa de ajuda? Eu farei o serviço. Pode levar um ano, mas eu pagarei.” “Por quê?” Ned pegou uma moeda e a testou com os dentes. “Por que você está fazendo isso por uma viúva acabada?” Antes que eu pudesse responder, Clara se aproximou de mim, com o queixo erguido. “Fui eu quem perguntou a ele se alguém estava marcando os pontos. Três dias trancada com ele, e descobri que ele vale mais do que todos vocês juntos. Começando por você, Ned Carver.” Ela olhou em volta para todos aqueles rostos que a encaravam. “Vocês querem me xingar? Vá em frente. Isso não muda o fato de que vou me casar com o melhor homem que já conheci. E se isso arruinar minha reputação, bem, talvez minha reputação precisasse ser arruinada.” Eu fiquei olhando para ela. Essa mulher, que estava tão assustada há 3 dias, estava em um bar cheio de homens hostis me defendendo, nos defendendo. Eu me virei para Ned. “A dívida? Sim ou não?” Ele olhou para o dinheiro, para Clara, e para mim. Algo feio se moveu por trás de seus olhos. “Fique com seu dinheiro, Virgem. Considere isso um presente de casamento.” “Eu não quero”, eu disse, “fique com ele.” Ele se inclinou para perto. “Você acha que ganhou alguma coisa aqui? Você não ganhou. Você comprou uma mulher usada e uma vida inteira de inveja por ter se casado com ela. Aproveite.”

Saímos, caminhando sob o sol frio da tarde, com todos os olhares da cidade voltados para nós. Clara estava tremendo novamente, mas dessa vez de um jeito diferente. “Não sei se isso foi corajoso ou estúpido.” “Ambos”, eu disse. “Sempre ambos.” Nos casamos dois dias depois perante o juiz de paz. Sem cerimônia, sem convidados, apenas nós e um pedaço de papel que dizia que pertencíamos um ao outro. Então voltamos para minha cabana e começamos a tentar descobrir como sobreviver a um inverno que já estava matando centenas de cabeças de gado. Janeiro de 1887 estava mais frio que o canto esquecido do inferno. Perdi metade do meu gado. Os que sobreviveram estavam muito fracos para serem vendidos. Naquele inverno, comemos pouco. Feijões e qualquer caça que eu conseguisse abater, o que não era muita coisa, já que os veados estavam paralisados. Clara mantinha a cabana aquecida, nos alimentava com quase nada e me impedia de enlouquecer quando eu saía a cavalo e encontrava mais uma vaca morta na neve. Mas o frio não foi a parte mais difícil. Era o silêncio. Os moradores da cidade pararam de falar conosco. Pararam de negociar conosco. Quando íamos buscar suprimentos, as pessoas viravam as costas. As mulheres não olhavam para Clara. Os homens riam baixinho e cochichavam por trás das mãos. Certa noite, Clara estava sentada à mesa, olhando para o nada. “Você já se arrependeu?”, ela perguntou. Levantei os olhos do arreio que estava consertando. “O quê?” “Isso tudo. Você perdeu metade do seu rebanho, sua reputação, tudo.” Larguei o couro, fui até ela e ajoelhei-me para ficarmos cara a cara. “Todo santo dia”, eu disse. Ela se encolheu como se eu a tivesse atingido. “Me arrependo toda maldita manhã quando acordo quentinha ao seu lado. Me arrependo de não ter jogado aquela promessa idiota no fogo anos atrás e começado a viver.” Lágrimas escorriam pelo seu rosto. “Você perdeu tudo por mim.” “Não, eu perdi o gado. Perdi a imagem que as pessoas tinham de mim. Mas isso não é tudo.” Peguei suas mãos. “Você? Você é tudo. E eu faria tudo de novo amanhã. Todos os dias pelo resto da minha vida.” Ela me beijou então, um beijo suave, desesperado e grato.

Naquela primavera, quando a neve finalmente derreteu e eu pude contar quantas cabeças de gado me restavam, Clara me disse que estava grávida. Eu fiquei ali parado na lama e na neve derretendo, olhando para aquela mulher que tinha virado minha vida de cabeça para baixo, e comecei a rir. “O que é engraçado?”, ela perguntou, assustada. “Nada. Tudo.” Eu a abracei forte. “Eu não sei como ser pai.” “Você também não sabia como ser marido. Você descobriu.” Tivemos uma filha naquele novembro, a quem demos o nome de Sarah em homenagem à minha mãe. E ali, segurando aquela pequena vida nos meus braços, finalmente entendi o que mamãe queria dizer. Ela não queria que eu permanecesse puro. Queria que eu esperasse por alguém que me fizesse querer ser melhor, mais corajoso, o tipo de homem que escolheria o amor em vez da segurança. Todas as vezes que Clara fez isso, ela me transformou nesse homem.

Isso foi há 31 anos. Clara se foi. Seus pulmões se encheram, assim como os de mamãe. Tivemos 28 bons anos, três filhos e um rancho que nunca nos enriqueceu, mas nos manteve longe da cidade. As pessoas param de cochichar depois de um tempo. Ou talvez tenhamos parado de ouvir. Alguns ainda perguntam se me arrependo de ter quebrado o último desejo de mamãe: uma nevasca de três noites e uma mulher que a cidade chamava de impura. Eu digo: “Sim, me arrependo de ter esperado tanto tempo. O resto, nunca.” Então, aqui está a única sabedoria que este velho tolo tem: quando aquilo que você mais deseja é o que mais te assusta, essa é a direção a seguir. O resto é apenas morrer lentamente. Agora, se esta história significou algo para você, clique no botão “gostei”. Inscreva-se se quiser mais histórias de um velho tolo que aprendeu tudo da maneira mais difícil e deixe um comentário dizendo de onde você está assistindo. Sempre fico curioso para saber quem está ouvindo um velho cowboy divagar sobre seus arrependimentos. Cuide-se por aí e lembre-se: ser o rancheiro virgem não foi o que me definiu. Quebrar essa promessa, sim.