A MELHOR AMIGA MALIGNA em quem eu confiava

Ela queria a vida da sua melhor amiga, a casa dela, o marido dela, a felicidade dela. Mas ela não sabia que tomar o que não lhe pertencia transformaria seu sonho em um verdadeiro pesadelo.
Amara e Zena cresceram como só os verdadeiros amigos de infância crescem, compartilhando uma vida entre dois corpos. No bairro lotado e barulhento de Okopa, em Lagos, eles eram conhecidos como os gêmeos que não se pareciam. De manhã, você os veria correndo descalços pelas poças da chuva do dia anterior, carregando baldes de plástico, perseguindo uns aos outros entre os varais de roupa secando. À tarde, eles se sentavam em frente à banca de Mamaric, comendo bolinhos de massa frita e rindo alto o suficiente para que toda a rua ouvisse. E aos sábados de manhã, Amara penteava o cabelo de Zena enquanto conversavam sobre o futuro.
Amara era calma, o tipo de garota que falava baixo, que pensava cuidadosamente antes de dizer qualquer coisa. Ela era paciente, gentil e fácil de amar. Zena era um incêndio florestal, barulhenta, dramática, sempre imaginando uma vida maior do que o seu ambiente. Ela queria luxo, riqueza, influência. Ela queria escapar das ruas empoeiradas e dos geradores barulhentos de sua vizinhança.
Eles eram diferentes, mas inseparáveis. Todos sabiam que se Zena aparecesse em uma festa, Amara não demoraria a chegar. Se Amara estivesse doente, Zena ficava ao lado dela até que ela se recuperasse. Se Zena reprovasse em uma prova, Amara ficava acordada a noite toda dando aulas particulares para ela. Suas mães frequentemente zombavam delas: “Vocês duas nasceram em lares diferentes, mas foram criadas por um só coração”. Nada poderia separá-las. Nem a escola, nem a distância, nem o tempo.
À noite, sob o zumbido suave do ventilador de teto, elas sussurravam seus sonhos. Amara tinha um sonho pequeno, mas doce: uma vida tranquila, um homem que a amasse sinceramente e um pequeno negócio que ela pudesse desenvolver com as próprias mãos. Zena sonhava mais alto do que sua imaginação podia alcançar: uma mansão, roupas de grife, um marido rico, férias fora do país, uma vida deslumbrante. E Amara sorria gentilmente e dizia: “Você vai conseguir. Deus vai fazer isso acontecer”. Zena acreditava nisso com toda a sua alma.
A vida seguiu seu curso até o dia em que Amara conheceu o homem que mudaria o destino de ambas. Aconteceu durante um de seus trabalhos de catering, um evento corporativo onde ela entregava bandejas de salgadinhos e bebidas. Ela estava suada, estressada e tentando dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo quando ouviu uma voz grave atrás dela: “Deixe-me ajudá-la com isso”. Ela se virou e viu Kenneth: alto, moreno, bem vestido, com um sorriso caloroso e confiante. No início, ela era tímida, mas Kenneth não era o tipo de homem que se ignora facilmente. Ele elogiou a comida dela, depois sua ética de trabalho e, por fim, a gentileza em seu olhar. Ele a visitava nos seus trabalhos de catering, levava-lhe almoços surpresa e a acompanhava até em casa depois das aulas noturnas. Ele a fez sentir-se vista, protegida e amada.
Amara não se apaixonou rapidamente. Ela caiu devagar, firmemente, naturalmente. Quando finalmente o apresentou a Zena, Zena deu um gritinho e a abraçou com tanta força que Amara quase perdeu o fôlego. “Minha Amara finalmente encontrou o homem!”, ela riu alto. “Chega de associação de solteiras.” Ela estava falando sério, pelo menos no início. Mas quando Kenneth a pediu em casamento meses depois da formatura, algo dentro de Zena mudou. Não era ódio, não era raiva. Apenas uma pontada; uma sensação silenciosa de vazio que ela não conseguia explicar. Um sussurro suave em seu coração dizia: “Por que não eu?”.
O pedido de casamento do Kenneth foi lindo. Luz de velas, rosas, um anel de prata que brilhava como água fresca sob a luz do sol. Tudo o que uma mulher poderia desejar. O casamento deles foi o assunto mais comentado em Lagos. Sofisticado, elegante, transbordando amor. Amara parecia uma rainha. Kenneth olhou para ela como se ela fosse todo o seu mundo. Eles dançavam como se seus pés estivessem flutuando. Zena estava radiante, sorrindo alegremente para as fotos, rindo alto das piadas e torcendo pelo casal com entusiasmo. Mas, lá no fundo, algo se apertou.
Após o casamento, Amara mudou-se para a mansão de Kenneth, um duplex deslumbrante com pisos de mármore, tetos altos, janelas enormes, móveis de design e carros de luxo estacionados do lado de fora como troféus. Quando Zena visitou o local pela primeira vez, ficou sem palavras, atônita. Amara estava vivendo a vida que Zena sempre sonhou. A sala de estar parecia capa de revista. A cozinha brilhava como vidro. O closet estava repleto de tecidos de renda, joias de ouro e perfumes importados. O banheiro tinha uma banheira grande o suficiente para nadar. Zena sorriu, mas seu sorriso vacilou. Em seu coração, aquele sussurro silencioso retornou: “Essa deveria ter sido a minha vida”. Mas ela abraçou Amara com força e disse: “Estou muito feliz por você agora”. Sua inveja ainda era pequena, ainda fingia ser admiração.
Amara acreditava que seu casamento seria perfeito. Kenneth era carinhoso, amoroso e gentil. Ele abria portas para ela, comprava presentes, a abraçava pela cintura quando caminhavam. Mas, aos poucos, as rachaduras começaram a aparecer. Começou pequeno. Havia noites em que ele não voltava para casa. Amara ficava sentada na sala de estar esperando, olhando fixamente para o relógio. Com o passar das horas, a comida esfriou, seus olhos ficaram pesados, mas ela continuou esperando. Ele voltou com cheiro de álcool e, às vezes, de um perfume que não era dela.
“Onde você estava?”, perguntou certa noite, com a voz trêmula. Ele se virou, com os olhos frios. “Você está me fazendo perguntas agora?” Ela engoliu o medo. “Eu não atendi suas ligações.” Então veio o primeiro tapa. Foi tão repentino que, por um instante, o som desapareceu do seu mundo. Sua visão ficou turva. Seus ouvidos zumbiam. A raiva de Kenneth evaporou instantaneamente. “Desculpe. Você me provocou. Você sabe que eu detesto reclamações.” Ele beijou-lhe a testa suavemente. Na manhã seguinte, ele comprou para ela um novo iPhone e uma bolsa cara.
E isso se tornou o ritmo. Ele bate, ele pede desculpas, ele compra presentes, ela perdoa, ele bate de novo. Amara escondeu tudo. Ela usava corretivo no rosto, mangas compridas nos braços e lenços no pescoço. Ela publicou fotos felizes online. Ela sorriu em público. Ela desempenhou o papel da esposa perfeita. Ninguém suspeitou de nada, nem mesmo Zena.
Cada vez que Zena visitava a mansão, ela admirava tudo. Os lustres, as cadeiras de design, os perfumes enfileirados na penteadeira. Kenneth a cumprimentava calorosamente: “Zena, seja bem-vinda. Espero que o trânsito não tenha te atrapalhado muito”. Ela riu timidamente. “Obrigado, senhor.” Amara estava sentada ali, sorrindo, escondendo o inchaço na palma da mão onde Kenneth a havia apertado com muita força na noite anterior. Zena só via o conforto, nunca os hematomas; só o luxo, nunca a dor. E, em comparação, a vida dela parecia pó. Seu pequeno apartamento, seus namorados instáveis, sua constante correria. A inveja criou raízes profundas em seu coração. Começou como saudade, depois desejo, e então amargura. Logo ela começou a acreditar que Amara não merecia a vida que tinha.
E então Zena ultrapassou os limites. Ela visitou Baba Ojanugua, um herbalista temido por seu poderoso trabalho espiritual. Seu pequeno casebre cheirava a cinzas e segredos esquecidos. Panos vermelhos estavam pendurados por toda parte. Zena estava tremendo, com o coração disparado. Ela disse: “Eu quero o Kenneth. Quero que ele me ame. Quero que ele deixe a esposa”. O velho olhou para ela com olhos cansados e perspicazes. Ele disse: “Este trabalho une destinos. Se eu o fizer, você nunca deve abandoná-lo. Mesmo que ele a machuque, mesmo que ele a destrua, o feitiço não poderá ser desfeito”. Zena hesitou, mas a inveja falou mais alto que a razão. “Faça isso!”
O ritual começou. Ervas queimando, cânticos se elevando, fios vermelhos e pretos amarrados a um pote de barro com o nome de Kenneth dentro. O ar ficou pesado, tenso. “Você deve jogar o amuleto no rio esta noite”, disse Baba. “Não há como voltar atrás.” Zena fez o que lhe foi dito.
A partir daquele dia, o pesadelo começou. Kenneth tornou-se distante, amargo e raivoso. Ele encarou Amara com um ódio que ela não compreendia. Ele se irritava com coisas pequenas. Ele se recusou a tocá-la. Ele gritou, insultou, praguejou. Certa noite, ele apontou para a mala dela e disse: “Arruma suas coisas. Saia da minha casa”. Ela congelou, seu mundo desabando. Ela implorou a ele, chorando, confusa. Mas ele a expulsou como se ela fosse uma estranha.
Destroçada e humilhada, ela retornou ao pequeno bairro de Okopa para recomeçar. Enquanto isso, Zena vestiu seu melhor vestido, maquiou-se e entrou na mansão como uma nova rainha. Mas o que ela encontrou não era o que ela tinha em mente. O amor não segue a magia. Na primeira noite, Kenneth deu-lhe uma bofetada por ela ter feito uma pergunta simples. Na semana seguinte, ele quebrou o celular dela. Ele a arrastou pelos cabelos. Ele a atingiu com mais força do que jamais havia atingido Amara.
Zena percebeu tarde demais que não havia roubado amor, mas sim dor. Ela voltou correndo para o herbalista, chorando. “Por favor, quebre o feitiço. Eu imploro.” Baba olhou para ela com tristeza. “Eu te avisei. Recupere o amuleto do rio ou permaneça presa ao seu sofrimento.” Zena saiu mancando, com o rosto inchado e o espírito despedaçado.
Enquanto isso, Amara encontrou forças no silêncio. Ela alugou um pequeno quarto independente, voltou ao seu negócio de catering e se reconstruiu aos poucos. Ela orou, ela se curou, ela respirou novamente. Meses depois, Zena apareceu à sua porta, machucada, chorando, arrasada. “Amara, me desculpe. Eu queria a sua vida. Eu destruí tudo.” Amara olhou para ela, com o coração despedaçado. Ela a perdoou suavemente, mas com lágrimas nos olhos, disse: “Nunca mais poderemos ser amigas”.
Aquelas palavras esmagaram a alma de Zena mais do que qualquer surra. Ela retornou à mansão de Kenneth, uma prisão dourada onde ficou aprisionada pelo feitiço que ela mesma criou. Amara continuou crescendo, se curando, encontrando paz, se reencontrando. E esse é o verdadeiro luxo: paz, não carros, não casas, não status. Porque a inveja é uma dívida que deve sempre ser paga na íntegra.
Obrigado por assistir a esta história até o final. Deixe um comentário dizendo qual mensagem essa história transmitiu para você. Compartilhe com alguém que precisa ouvir isso e clique no botão “Curtir” para que mais histórias sejam publicadas. Não se esqueça de se inscrever para ser o primeiro a saber quando uma nova história for publicada. Até o próximo capítulo, mantenham-se seguros, mantenham-se inspirados e até breve.










