
Em junho de 1942, a frota japonesa deveria ser dominante, mas um terrível incidente ocorreu em Midway. Quando o Almirante Yamamoto soube da notícia, empalideceu. Suas palavras subsequentes chocaram todos os oficiais presentes. Os americanos acabavam de realizar o impossível: a destruição de quatro porta-aviões em questão de minutos.
E as palavras do comando de Tóquio mudariam o curso da Guerra do Pacífico. Mas eis o que ninguém comenta: a mensagem secreta que tentaram ocultar por décadas. O momento da revelação. 4 de junho de 1942. O almirante Nagumo estava na ponte de comando de seu navio-almirante. Seus quatro porta-aviões eram o orgulho do Japão.
Seis meses antes, eles haviam bombardeado Pearl Harbor. Mas agora, bombardeiros de mergulho americanos desciam dos céus. Em menos de cinco minutos, três de seus porta-aviões estavam em chamas. O Akagi, o Kaga, o Soryu — todos queimando. Uma densa fumaça negra subia centenas de metros no ar. Naguma observava a cena em silêncio. Seus oficiais aguardavam ordens, mas ele não disse nada. Simplesmente encarava as chamas.
Um oficial descreveu mais tarde seu rosto como o de um homem que comparecia ao próprio funeral. Ao pôr do sol, todos os quatro porta-aviões haviam desaparecido. A força naval de ataque mais poderosa do mundo aniquilada em um único dia. Mas o que aconteceu em Tóquio? É aí que a verdadeira história começa. Pois a reação do Almirante Yamamoto revelaria o segredo mais sombrio do Japão sobre esta guerra.
A mensagem era para Yamamoto. O almirante Yamamoto estava a 300 metros de distância, a bordo do encouraçado Yamato. Ele era o maior gênio naval do Japão, o arquiteto de Pearl Harbor e aquele que havia prometido a vitória. Às 12h30, o operador de rádio transmitiu uma mensagem: “O Akagi está em chamas e adernando”. Yamamoto a leu.
Ele então pediu confirmação da mensagem. Talvez estivesse incorreta. Talvez fosse um engano. Vinte minutos depois, chegou outra mensagem: “Kaga está afundando. Soryu foi abandonado. Hiryu está sob ataque.” Testemunhas relataram que as mãos de Yamamoto começaram a tremer. Ele foi para sua cabine particular e permaneceu lá por três horas. Ninguém tinha permissão para entrar.
Alguns oficiais o ouviram falando sozinho através da porta. Quando finalmente saiu, seu rosto estava completamente impassível. Um ajudante de ordens escreveu em seu diário: “O almirante parecia um zumbi”. Mas o que Yamamoto disse? Suas primeiras palavras chocariam todos os presentes. As primeiras palavras de Yamamoto. Yamamoto retornou ao posto de comando às 16h. Todos os oficiais estavam em posição de sentido.
Um silêncio sepulcral pairava na sala. Aguardavam ordens, um plano, seu comandante. Yamamoto consultou o mapa sobre a mesa e, então, pronunciou suas primeiras palavras desde o anúncio: “O Japão perdeu a guerra”. Os oficiais ficaram atônitos. Um capitão começou a protestar.
Almirante, ainda temos navios de guerra. Ainda temos Yamamoto. Ele o interrompeu. Perdemos a iniciativa estratégica. Nunca a recuperaremos. Não era pânico. Não era emoção. Yamamoto estava constatando um fato militar. Ele sabia algo que os outros ainda não haviam compreendido. Todo o plano de guerra do Japão dependia desses quatro porta-aviões.
Sem eles, tudo entraria em colapso. Mas eis a parte mais arrepiante: Yamamoto havia previsto esse mesmo desastre meses antes. Ele havia alertado Tóquio, mas eles o ignoraram. Então, o que ele disse? Que aviso os líderes japoneses se recusaram a acatar? Aquele que eles ignoraram. Em dezembro de 1941, logo após Pearl Harbor, o Japão estava em festa.
Os jornais aclamaram o feito como a maior vitória da história. O próprio imperador elogiou o ataque. Todo o país estava convencido de que os Estados Unidos capitulariam nos meses seguintes. Mas Yamamoto não comemorou nada. Em uma reunião particular com o primeiro-ministro, ele proferiu palavras ameaçadoras: “Posso fazer o que quiser por seis meses. Depois disso, não garanto nada. Seis meses.”
Yamamoto sabia que o poderio industrial do Japão não podia competir com o dos Estados Unidos. Sabia que os porta-aviões eram insubstituíveis. Se o Japão os perdesse, não haveria uma segunda chance. O primeiro-ministro ignorou esse aviso. Os generais do exército fizeram o mesmo. Consideravam Yamamoto cauteloso demais, ocidentalizado demais em seu pensamento. Um general chegou a acusá-lo de ser derrotista.
Seis meses depois, exatamente no mesmo dia, a previsão de Yamamoto se concretizou. Os porta-aviões haviam desaparecido. O poder ofensivo do Japão fora aniquilado, e a guerra estava prestes a se tornar o que Yamamoto mais temia: uma longa e árdua batalha. O Japão não tinha mais como vencer. Mas Tóquio ainda se recusava a ouvir a verdade. A reação de Tóquio.
A notícia chegou a Tóquio às 20h, horário japonês. O quartel-general da Marinha Imperial mergulhou no caos. Almirantes trocaram insultos. Alguns exigiam um contra-ataque imediato, outros o recolhimento de toda a frota. Mas o Imperador precisava ser informado. Esse era o ponto crucial. Na cultura japonesa, más notícias jamais eram entregues diretamente ao Imperador. Elas precisavam ser apresentadas com tato.
A gravidade da situação precisava ser minimizada. O Ministro da Marinha foi ao palácio. Informou ao Imperador que porta-aviões haviam sido danificados durante um combate tático. Especificou que a batalha ainda estava em curso. Evitou cuidadosamente a palavra “perdidos”. Mas o Imperador não se deixou enganar. Fez uma pergunta simples: “Quantos porta-aviões ainda estão operacionais?” Seguiu-se um longo silêncio.
“Nada, Vossa Majestade.” O rosto do imperador permaneceu impassível. Ele simplesmente assentiu com a cabeça. Em seguida, pediu a seus conselheiros que se retirassem. Ele desejava ficar sozinho. O que ele fez naquela sala, ninguém sabe. Mas a próxima decisão de Tóquio selaria o destino do Japão. O encobrimento começou. Em menos de 24 horas, Tóquio fez uma escolha surpreendente: mentir.
Não para os Estados Unidos, mas para o seu próprio povo. Os jornais japoneses apresentaram Midway como uma vitória. As manchetes proclamavam: “Frota inimiga destruída. Dois porta-aviões americanos afundados”. Havia fotos de pilotos sorridentes, relatos de triunfos heroicos e cenas de júbilo nas ruas. A verdade foi classificada como segredo de Estado. Os sobreviventes dos porta-aviões afundados foram isolados em quartéis especiais.
Eles não podiam escrever para suas famílias, nem falar com os outros marinheiros, nem revelar a verdade a ninguém. Os oficiais que sabiam do ocorrido haviam jurado segredo absoluto. Violar esse juramento era punível com prisão, ou pior. Um jovem oficial que havia confidenciado as perdas à esposa desapareceu. Sua família nunca mais o viu.
Por que o encobrimento? Porque o comando de Tóquio temia muito mais do que as bombas americanas. Temia que sua própria população perdesse a fé na guerra. Mas esse encobrimento criou um problema ainda mais sério, que custaria milhões de vidas japonesas. A consequência fatal. Eis o que esse encobrimento fez ao Japão: ao ocultar a derrota, o comando de Tóquio se aprisionou em uma teia de mentiras.
Eles não podiam mudar sua estratégia, nem reforçar suas defesas, nem ordenar a construção de novos porta-aviões, porque, oficialmente, nada havia sido relatado como problemático. Durante meses, portanto, o Japão continuou a atacar, a avançar, a fingir vitória, enquanto seu poder naval diminuía visivelmente. Os serviços de inteligência americanos estavam perplexos.
Eles testemunharam o Japão tomando decisões estratégicas terríveis: dispersando suas forças, atacando alvos insignificantes e negligenciando a defesa das posições conquistadas. Um almirante americano comentou: “Parece que eles não percebem que estão perdendo”. E ele estava certo. Porque a maioria dos comandantes japoneses não tinha consciência disso.
O encobrimento semeou confusão até mesmo dentro das próprias forças armadas. Oficiais em campo estavam elaborando planos com base em informações falsas. Yamamoto, no entanto, sabia a verdade. E o que ele fez em seguida é talvez o aspecto mais trágico desta história. Ele continuou lutando em uma guerra que já sabia estar perdida. A verdade absoluta. Yamamoto nunca mais falou publicamente sobre Midway.
Ele dedicou-se de corpo e alma ao planejamento das próximas operações, buscando salvar o que fosse possível do desastre, tentando encontrar uma maneira de refutar seu próprio alerta. Mas, em particular, confidenciou uma verdade arrepiante ao seu associado mais próximo: o Japão continuava sua corrida desenfreada rumo ao abismo, e ninguém o impediria. Um ano depois, caças americanos abateram o avião de Yamamoto.
Ele morreu sabendo que sua previsão se provara verdadeira. O Japão havia perdido a guerra em Midway. Tudo o que se seguiu foi uma lenta descida rumo à derrota inevitável. O encobrimento durou até 1945. Quando o Japão finalmente se rendeu, o público soube a verdade sobre Midway pela primeira vez, três anos depois do ocorrido.
Durante três anos, disseram-lhes que iriam vencer. Então, o que o alto comando japonês realmente disse quando percebeu que Midway estava perdida? “Perdemos a guerra”, mas apenas em sussurros. Para todos os outros, diziam: “Estamos vencendo”. E essa mentira pode ter ceifado mais vidas do que a própria batalha. A reação do alto comando japonês à derrota em Midway mudou tudo.
A resposta deles? Silêncio e mentiras. O relatório da Marinha Imperial Japonesa ocultou do público as perdas dos porta-aviões. Os almirantes japoneses compreenderam imediatamente as implicações estratégicas, mas Tóquio, diante da derrota de sua frota em Midway, optou pela negação. Esta não foi apenas uma batalha perdida. Foi o momento em que os militares japoneses escolheram a mentira em vez da verdade.
E essa escolha selou o destino deles.










