A Família Harlow: O Mistério de uma Família Consanguínea Oculta nas Montanhas Apalaches e Seus Rituais Assombrosos

O que mais deveria incomodá-lo em relação ao clã Harlow não é o que você pensa. Não são as deformidades físicas, o isolamento que praticavam, nem mesmo as gerações de consanguinidade que os criaram.

O que realmente deveria perturbá-lo é quanto tempo eles existiram antes que alguém soubesse de sua existência, quão deliberadamente escolheram seu destino e o que o Dr. Samuel Whitmore encontrou naquele porão em 14 de fevereiro de 1840.

Uma descoberta tão profundamente falha que permaneceu lacrada em arquivos médicos por mais de um século, considerada perigosa demais para ser divulgada.

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O Dr. Samuel Whitmore não deveria estar nas montanhas da Virgínia naquele inverno. O médico de quarenta e dois anos havia estabelecido uma clínica respeitável em Richmond, tratando políticos e comerciantes, e frequentando bailes e recepções condizentes com um homem de sua posição.

Mas seu irmão mais novo, Thomas, havia desaparecido três meses antes, enquanto inspecionava concessões madeireiras na fronteira dos Apalaches, e Samuel havia esgotado todos os canais oficiais para procurá-lo. O magistrado local havia se mostrado compreensivo, mas pouco prestativo.

Homens desapareciam naquelas montanhas com uma regularidade perturbadora, consumidos pela natureza selvagem, assassinados por bandidos ou simplesmente engolidos pela vasta e indiferente floresta. O inverno havia chegado mais cedo naquele ano, e as equipes de busca haviam retornado semanas antes, declarando Thomas desaparecido nas montanhas.

Samuel recusou-se a aceitar essa conclusão. Em 9 de fevereiro de 1840, ele partiu de Richmond com um guia chamado Jacob Stern, um homem da fronteira curtido pelo tempo que afirmava conhecer cada vale e crista da região.

Eles trouxeram consigo três cavalos de carga carregados com suprimentos, equipamentos médicos e provisões suficientes para duas semanas.

A esposa de Samuel, Catherine, implorou para que ele não fosse embora, segurando a filha de seis anos, Mary, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Mas Samuel havia feito uma promessa à mãe antes de ela morrer: ele sempre protegeria Thomas, ele sempre o traria de volta para casa.

Ele deu um beijo de despedida em Catherine, montou em seu cavalo e cavalgou para oeste na manhã cinzenta, sem saber que estava prestes a enfrentar algo muito pior do que a morte de seu irmão.

A primeira semana transcorreu em uma monotonia brutal. Eles seguiram antigas trilhas de caça e caminhos de exploração madeireira, parando em algumas fazendas isoladas para perguntar por Thomas.

A maioria das famílias pioneiras desconfiava de estranhos, respondendo às perguntas com acenos de cabeça breves ou silêncio hostil.

Aqueles que falaram confirmaram que um homem com as características de Thomas havia passado por ali em novembro, adentrando as montanhas com seu equipamento de topografia, mas ninguém o viu retornar. A trilha foi ficando cada vez mais fria com o passar dos dias, tanto literal quanto figurativamente.

As temperaturas despencaram e a neve começou a cair em camadas espessas e pesadas, obscurecendo a trilha. No oitavo dia, Jacob Stern anunciou que teriam que voltar. A neve agora chegava à altura dos joelhos. Seus suprimentos estavam diminuindo e continuar teria sido suicídio.

Samuel implorou por mais um dia, apenas mais uma crista para explorar. Jacob concordou a contragosto, mas sua expressão deixou claro que aquele seria o último adiamento.

Eles continuaram a tarde toda, subindo uma encosta íngreme que parecia se estender infinitamente em direção ao céu branco. As mãos de Samuel estavam dormentes dentro das luvas, e seu rosto estava vermelho por causa do vento cortante.

Ele começava a aceitar que Catherine tinha razão, que a viagem fora uma loucura, que Thomas realmente o havia abandonado. Então, o cavalo de Jacob parou. O animal se recusou a ir mais longe, batendo as patas no chão nervosamente e soltando nuvens de vapor no ar frio.

Jacó desmontou e examinou o terreno, o rosto curtido pelo tempo franzido em confusão. Samuel desmontou e juntou-se a ele. Ali, parcialmente encoberta pela neve fresca, havia uma trilha: não uma trilha de veado ou uma formação natural, mas um caminho deliberadamente aberto, largo o suficiente para uma carroça.

Rastros frescos de carroça ainda eram visíveis na neve, o que significava que alguém havia passado por ali nas últimas horas. Mas isso era impossível. Eles estavam a quilômetros de qualquer povoado conhecido, no alto de uma região que Jacob jurara ser desabitada e selvagem.

“Não adianta”, murmurou Jacob, instintivamente levando a mão ao rifle que carregava no ombro. “Ninguém mora aqui. A terra é muito pobre. Os invernos são muito rigorosos. E eu caço nessas montanhas há 20 anos.”

“Nunca vi essa trilha antes.” Samuel sentiu uma mistura de esperança e apreensão.

Se alguém morasse ali, talvez tivesse visto Thomas. Talvez soubesse o que lhe acontecera. Insistiram em seguir o rastro, apesar da visível relutância de Jacob.

O guia finalmente assentiu com a cabeça, mas manteve o rifle pronto, o olhar percorrendo a linha das árvores com o cansaço de um homem que aprendeu a confiar em seus instintos.

O caminho serpenteava por uma densa floresta de pinheiros, cujos galhos carregados de neve criavam um túnel branco que abafava todos os sons. O silêncio era absoluto e antinatural.

Nenhum canto de pássaros, nenhum sussurro do vento nas árvores, nem mesmo o rangido distante de galhos congelados quebrando sob seu peso.

Apenas o ranger de suas botas na neve e…