O que os gladiadores faziam com as mulheres durante as noites de vitória era mais do que uma simples celebração.

O que os gladiadores faziam com as mulheres durante as noites de vitória era mais do que uma simples celebração.

O Coliseu está se esvaziando, o sangue mancha a areia e 50.000 espectadores saem comentando sobre a carnificina do dia. No entanto, para os gladiadores sobreviventes, a verdadeira violência está apenas começando. Em 183 d.C., o corpo de uma mulher foi descoberto nos quartéis de gladiadores sob a arena. Seus ossos narram uma história que historiadores romanos apagaram deliberadamente, revelando que Hollywood vendeu uma mentira. A glória de Roma escondia um programa sistemático de recompensas que transformava seres humanos em troféus, um sistema de motivação distorcido.

Roma, no século II d.C., era o centro de um império vasto. Os gladiadores eram as celebridades máximas, vistos como atletas, guerreiros e símbolos sexuais. Grafites antigos em paredes de bordéis confirmam essa fama. Contudo, esse status trazia benefícios que iam além do reconhecimento. Estruturalmente, as instalações de treinamento de gladiadores, chamadas ludas, eram localizadas estrategicamente ao lado de bordéis registrados. A sociedade romana construiu um sistema onde a vitória na arena era recompensada após o anoitecer. Mulheres escravizadas que trabalhavam nos quartéis, profissionais contratadas e até mulheres de famílias nobres envolviam-se nesse contexto, muitas vezes sem poder sair quando desejavam.

O imperador Cômodo, ao assumir o trono em 180 d.C., expandiu os jogos e formalizou o que antes era uma prática informal. Ele autorizou os donos de gladiadores a oferecerem mulheres como prêmios de vitória. Vencer uma luta garantia a escolha entre as mulheres que cuidavam do ludus; matar o oponente de forma espetacular poderia resultar na contratação de profissionais para a noite. Embora a propaganda romana sugerisse que os gladiadores fossem atraentes, evidências arqueológicas mostram uma realidade de brutalidade.

Em Pompeia, a escavação dos quartéis de gladiadores revelou o esqueleto de uma jovem com fraturas defensivas e trauma craniano, indicando que ela foi agredida dias antes da erupção do Vesúvio e escondida em um depósito. Em 2007, radares no Ludus de Cápua revelaram uma vala comum com corpos femininos sob os quartéis. Em 2014, arqueólogos na Áustria descobriram salas ocultas com correntes de ferro e instrumentos que indicavam atividades sistemáticas de abuso ritualizado, algo tão perturbador que até filósofos da época, como Sêneca, evitaram descrever detalhadamente.

As mulheres nesse sistema dividiam-se em três grupos: escravizadas pertencentes ao ludus, sem direitos legais; profissionais de bordéis cujos pagamentos iam para seus donos; e mulheres nobres que buscavam a emoção do perigo. Para a lei romana, a entrada voluntária nos quartéis muitas vezes era interpretada como consentimento para qualquer evento subsequente. Um caso jurídico de 167 d.C. exemplifica os valores de Roma: Marcus Atilius, um campeão famoso, foi acusado pela morte de Flávia, filha de um dono de ludus. Apesar das provas de estrangulamento e agressão, Atilius alegou o “direito de recompensa”. Ele foi condenado apenas a pagar uma indenização por danos à propriedade, já que a vítima era vista como um ativo econômico perdido pelo pai.

Em 169 d.C., ocorreu uma revolta sem precedentes no Ludus de Cápua. As mulheres que trabalhavam no local barricaram-se e exigiram contratos de proteção e supervisão. O imperador Marco Aurélio emitiu um decreto exigindo o registro de todos os funcionários e permitindo denúncias a autoridades locais. Embora tenham sido reformas mínimas e as líderes da revolta tenham sido executadas, os casos de agressão documentados diminuíram significativamente nas décadas seguintes. O sistema de gladiadores acabou sendo encerrado com a influência cristã no século IV, mas a história dessas mulheres permaneceu em grande parte silenciada, enquanto detalhes técnicos de combate foram exaustivamente preservados. Roma construiu seu legado sobre memórias seletivas, e a arena era apenas a face visível de camadas profundas de exploração.