O nascimento de Cristo

No princípio, quando a humanidade caiu, Deus fez uma promessa: a de que um dia a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Através de profetas e reis, por séculos de anseio, essa promessa foi sussurrada repetidamente. Isaías declarou: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo estará sobre os seus ombros”. Agora, na plenitude dos tempos, o céu se preparava para cumprir o que a terra há muito esperava.
Na tranquila aldeia de Nazaré, vivia uma jovem mulher chamada Maria. Sua vida era simples, mas seu coração era cheio de fé. Certa noite, enquanto ela orava, a luz do céu encheu o seu quarto. Um anjo apareceu, radiante e majestoso, dizendo: “Salve, agraciada! O Senhor está contigo. Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe chamarás Jesus. Ele será grande, filho do Altíssimo, e o seu reino jamais terá fim”. Maria tremeu e sussurrou: “Como pode ser isso, se não conheço homem algum?“. O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. O menino que há de nascer será santo, Filho de Deus”. Maria respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. Quando o anjo partiu, o coração de Maria estava cheio de admiração. O maior segredo do céu agora crescia dentro dela.
Quando José, seu noivo, soube que Maria estava grávida, a tristeza encheu o seu coração. Ele a amava, mas não conseguia entender ou aceitar o que o bom senso lhe dizia: que só poderia ser o resultado de infidelidade, traição e imoralidade imperdoável por parte de Maria. Ele pensou: “Terei que terminar este noivado em segredo”. Naquela noite, enquanto ele jazia perturbado em seus pensamentos, o Senhor enviou um anjo em um sonho. “José, filho de Davi”, disse o anjo, “não temas receber Maria como tua mulher, pois o que nela está gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe chamarás Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Quando José acordou, a paz entrou em seu coração. Ele foi até Maria e disse: “Nós obedeceremos ao Senhor juntos”.
Logo depois, César Augusto emitiu um decreto para que todo o mundo fosse recenseado. José levou Maria e iniciou a longa jornada de Nazaré a Belém. Por entre poeira e pedras, por colinas e vales, eles viajaram lentamente. Maria montada em um jumento e José caminhando ao lado dela. Maria questionou: “José, o caminho é longo e estou pesada com o bebê. Conseguiremos chegar a Belém antes da chegada do menino? Conseguiremos um lugar para ficar lá?“. José respondeu: “Aguente firme, Maria, o Senhor proverá”.
Finalmente, sob um céu estrelado, eles chegaram a Belém, a cidade de Davi. Mas todas as hospedarias estavam cheias. José bateu porta após porta pedindo: “Por favor, senhor, minha esposa está grávida, precisamos de um lugar para ficar”. Um estalajadeiro, vendo a exaustão de Maria, disse gentilmente: “Sinto muito, viajante, todos os quartos estão ocupados. Mas atrás da estalagem há um estábulo; não é muito, mas é quentinho”. Eles agradeceram: “Será o suficiente”.
E assim, num lugar feito para animais, o Rei da Glória veio habitar entre os homens. Naquela noite, Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o envolveu em panos e o deitou numa manjedoura. O mundo dormia, sem saber que seu Salvador havia chegado. Maria disse: “Meu Senhor, meu Salvador, Emanuel, Deus conosco”. O céu se alegrou e a noite foi preenchida com paz.
Naquela mesma noite, em campos próximos, pastores vigiavam seus rebanhos. Era uma noite comum, tranquila, parada e fria. Então, de repente, o céu se iluminou. Um anjo apareceu diante deles dizendo: “Não tenham medo! Trago boas novas de grande alegria para todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu um Salvador, que é Cristo, o Senhor. Vocês o encontrarão envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Os pastores ficaram maravilhados e, de repente, os céus se abriram e foram preenchidos com uma multidão de anjos cantando: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”. O som encheu o céu como um trovão embalado em melodia.
Os pastores disseram: “Vamos a Belém, vamos ver o que o Senhor nos revelou”. Eles correram pela noite e encontraram Maria, José e o bebê deitado na manjedoura, exatamente como o anjo havia dito. “É verdade, o Salvador chegou! Sim, a promessa se cumpriu”. Os pastores se curvaram com lágrimas nos olhos e os corações transbordando de alegria. Ao amanhecer, eles espalharam a notícia por toda parte dizendo: “Vimos o Messias!“, e todos que ouviram ficaram maravilhados. Mas Maria guardava todas essas coisas no coração, meditando nelas em silêncio e admiração.
Longe, no oriente, sábios estudavam as estrelas. Eram estudiosos e buscadores atentos aos sinais do céu. Uma noite, viram uma estrela brilhante surgir, mais luminosa do que qualquer outra que já haviam conhecido. Eles concluíram: “Esta estrela marca o nascimento de um rei”. E assim, prepararam uma caravana e partiram por desertos e montanhas, seguindo a estrela que não se apagava.
Após muitas semanas de viagem, a estrela os guiou à terra de Judá e finalmente parou sobre Belém. Eles entraram em uma casa simples e lá encontraram o menino com sua mãe. O ar estava calmo, mas cheio de uma presença majestosa. Os sábios caíram de joelhos e o adoraram. Eles abriram seus tesouros e apresentaram seus presentes: ouro por sua realeza, incenso por sua divindade e mirra pelo sacrifício que um dia faria. E quando partiram, regozijaram-se, pois tinham visto a salvação de Deus com os próprios olhos.
Quando chegou a hora de Maria e José apresentarem o menino no templo, eles viajaram para Jerusalém. Os pátios do templo estavam cheios de adoradores e orações. Entre eles estava um homem chamado Simeão, idoso, gentil e cheio do Espírito Santo. Ele orou: “Senhor, agora podes deixar o teu servo partir em paz, conforme a tua palavra, pois os meus olhos viram a tua salvação que preparaste para todos os povos: uma luz para revelação aos gentios e a glória do teu povo Israel”. Maria e José ficaram maravilhados com as palavras dele. Simeão olhou para Maria e disse suavemente: “Este menino está destinado à ascensão e queda de muitos em Israel, e uma espada também perfurará a tua própria alma”. Perto dali estava Ana, uma profetisa que servira a Deus em oração e jejum por muitos anos. Quando ela viu o menino, levantou as mãos e declarou: “Este é ele, o Redentor de Jerusalém, a esperança de todos que esperam por libertação”. A notícia se espalhou pelos pátios do templo naquele dia: o Messias havia chegado.
Mas logo surgiu o perigo. O rei Herodes, ao saber do nascimento do menino, foi tomado pelo medo e pela fúria. Ele enviou soldados para destruir cada menino em Belém. Naquela noite, enquanto José dormia, um anjo do Senhor apareceu novamente e disse: “Levanta-te, pega o menino e a mãe dele e fujam para o Egito. Permaneçam lá até que eu lhes diga, pois Herodes procura destruí-lo”. José acordou e não perdeu tempo. Antes do amanhecer, José despertou e se preparou para partir. Maria envolveu o bebê firmemente e juntos eles fugiram na noite. Eles cruzaram desertos e rios, guiados pelas estrelas e guardados pela mão de Deus. No Egito, encontraram refúgio longe do alcance da espada de Herodes e lá esperaram, como a profecia previu: “Do Egito chamei o meu filho”.
Anos se passaram e, após a morte de Herodes, o anjo apareceu novamente a José em um sonho e disse: “Levanta-te, leva o menino e a mãe dele e retorna para Israel, pois aqueles que procuravam a vida do menino estão mortos”. Então eles retornaram, estabelecendo-se novamente em Nazaré, a cidade onde tudo começou. E o menino crescia forte em espírito, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele.
Aquele que nasceu em uma manjedoura um dia andaria pelas estradas da Galileia, curaria os quebrantados e daria a sua vida pelo mundo. De um berço a uma cruz, de uma manjedoura a um trono, a sua história havia começado. Ele veio não com poder, mas com humildade; não para condenar, mas para salvar. A luz havia chegado e as trevas não puderam vencê-la. Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador; ele é Cristo, o Senhor. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.










