A História Chocante da Amante Ímpia do Rei – Paula de Odivelas

A História Chocante da Amante Ímpia do Rei – Paula de Odivelas

Na década de 1710, uma noviça recentemente ordenada iniciou um relacionamento amoroso com o Rei Dom João V de Portugal. Embora isso possa parecer estranho à primeira vista, o convento onde ela vivia escondia muitos segredos e, com o tempo, Paula de Odivelas tornou-se uma figura de extrema relevância no país. A mulher conhecida hoje como Madre Paula de Odivelas nasceu como Paula Teresa da Silva e Almeida em 17 de junho de 1701, na freguesia de Santa Justa, nos arredores de Lisboa, a capital portuguesa. Ela provinha de uma família de classe média relativamente próspera. Seu antepassado foi Johannes Paul de Bryt, um homem alemão que serviu na guarda de Carlos V, o Imperador do Sacro Império Romano e Rei da Espanha. Posteriormente, a família estabeleceu-se em Portugal, e sua trajetória como ourives garantiu certa estabilidade financeira.

Os pais de Paula, Adrião Almeida e Josefa da Silva, tiveram três filhas: Paula, Maria Micaela e Leocádia Felícia. No outono de 1704, quando Paula tinha apenas três anos, sua irmã mais velha foi admitida no Mosteiro de São Dinis de Odivelas, uma casa religiosa proeminente perto de Lisboa. Com o tempo, tanto Paula quanto Leocádia juntaram-se a ela. Na época, o pai das meninas enfrentava dificuldades financeiras e não tinha meios de prover uma educação sofisticada ou dotes para todas. Paula, descrita como uma jovem de espírito rebelde, ingressou como noviça em janeiro de 1717, aos 16 anos. No convento, sua rotina envolvia orações matinais, leitura, escrita e o cuidado com os necessitados. Como freira, ela deveria dedicar sua vida a Deus sob os votos de castidade, pobreza e obediência. No entanto, sua trajetória não seguiria o caminho tradicional de uma religiosa.

A vida de Paula seria pouco lembrada hoje se não fosse por seu envolvimento com o Rei de Portugal, Dom João V. O monarca assumiu o trono em 1706, aos 17 anos. Seu reinado foi marcado por uma imensa prosperidade, impulsionada pela descoberta de ouro no Brasil e pelo desenvolvimento das indústrias de açúcar e madeira. Paula tornaria-se uma das grandes beneficiárias dessa riqueza real. O encontro inicial entre ambos ocorreu no Mosteiro de São Dinis, local que o rei frequentava com assiduidade por ser um grande patrono da instituição. Contudo, aquele não era um convento comum para os padrões modernos. Diversos nobres e o próprio monarca buscavam ali relações românticas com as jovens religiosas. O mosteiro abrigava cerca de 300 freiras, muitas delas jovens e de famílias influentes. Alguns homens usavam de seu poder e influência para conquistar essas mulheres, recorrendo a subornos e até disfarces para entrar no recinto.

O rei era conhecido por seu apreço pelas religiosas e mantinha uma ligação estreita com o convento. Não se sabe exatamente quando o relacionamento com Paula começou, mas no final da década de 1710 a união já estava consolidada. Inicialmente, Paula teve um breve envolvimento com o Conde de Vimioso, mas o rei, impressionado com sua beleza, fez um acordo para que o nobre se afastasse. Paula rapidamente tornou-se a favorita do monarca. Em 8 de setembro de 1720, ela deu à luz um filho, batizado como José de Bragança, um dos vários filhos ilegítimos do rei. O monarca reconheceu a criança e concedeu a Paula o título de Madre Paula de Odivelas, tornando-a abadessa de um dos mosteiros mais importantes de Portugal.

Nessa nova posição, Paula desfrutou de imenso poder e riqueza. Ela recebia uma generosa anuidade em moedas de ouro do tesouro real. Sua residência em Odivelas era marcada pela opulência, com relatos de estátuas de ouro e até uma banheira de prata dourada encomendada a um ourives britânico. Descrições da época detalham apartamentos luxuosos adornados com veludos caros, fios de ouro e tecidos finos vindos da Itália e Holanda. Mesmo as imagens de santos em sua moradia eram feitas de metais preciosos. A influência de Paula estendeu-se à sua família; seu pai recebeu títulos de nobreza e pensões vitalícias. Seu filho, José, foi educado junto a outros filhos ilegítimos do rei no Palácio do Marquês de Louriçal, em uma área que ficou conhecida como os Meninos de Palhavã. Todos receberam educação religiosa rigorosa e tornaram-se figuras proeminentes na Igreja Católica, com José chegando ao cargo de Inquisidor-Geral da Inquisição Portuguesa.

A posição de Paula permaneceu estável até o final da década de 1740, quando a saúde do rei começou a declinar. Dom João V faleceu em 1750, sendo sucedido por seu filho, Dom José I. O novo monarca não perseguiu os filhos ilegítimos ou as antigas parceiras de seu pai, permitindo que Paula mantivesse sua influência e riqueza no mosteiro. Em 1755, ela testemunhou o devastador terremoto de Lisboa, que destruiu grande parte da capital. O Mosteiro de Odivelas sofreu danos significativos, e os anos seguintes foram dedicados à supervisão de reparos e renovações. Enquanto isso, seu filho José continuou sua carreira eclesiástica, embora tenha enfrentado o exílio em 1760 devido a conflitos políticos com o Marquês de Pombal, o poderoso ministro de Dom José I.

Paula de Odivelas faleceu aos 67 anos, em 4 de julho de 1768, sendo sepultada na sala capitular do mosteiro onde viveu a maior parte de sua vida. Hoje, Madre Paula é amplamente recordada na sociedade portuguesa, e sua história ganhou renovado interesse público nos últimos anos através de produções audiovisuais que exploram sua vida singular e sua relação com a coroa portuguesa.